11 – Eu me chamo Popurou.

10 – Vazio Absoluto
26 de novembro de 2017
12 – Melhor que um Dragão.
27 de novembro de 2017
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11 – Eu me chamo Popurou.

— Essa conversa será um pouco longa, então sente-se. Este trono é seu mesmo. — Disse o Ancião enquanto apontava para o trono.

— (O trono é meu? Como assim?) — Pensou Zorg enquanto se sentava.

— A milhares de anos, pouco antes de eu morrer, eu selei meu espírito dentro dela. Não, para ser mais exato, eu me selei dentro do filho que ela carregava em seu ventre. — Disse o ancião enquanto olhava para o horizonte como se estivesse tendo profundas lembranças de um certo alguém.

— Garoto, por mais forte que você possa se tornar, nunca se esqueça de que sempre existirá um alguém além de outro alguém e um lugar além de outro lugar. Por outros milhares de anos eu vivi pensando ser o topo da existência, até que um dia…

Como se lembrasse de algo, o ancião parou no meio de sua sentença olhando profundamente para Zorgnatron.

— Eventualmente os dois que estão te guiando em meu lugar lhe contarão essa história, para evitar qualquer interferência em seus planos eu irei lhe contar apenas o necessário, nada além disso.

— Apesar de eu ter as respostas para todas as suas perguntas e até mais que isso, mesmo a maior de todas as bençãos se entregue fora do tempo pode se tornar a maior de todas as maldições. Devo agir com prudência, aqueles dois não interfeririam em meus planos se algo de ruim não tivesse acontecido. — Disse o ancião com uma expressão pesada no rosto.

— Então, até eu tomarei uma decisão diferente. Diga a eles que no período em que eu estive selado, eu fui capaz de transcender a um novo plano (mesmo não sabendo como.) Após nossa conversa eu partirei diretamente para lá e muito provavelmente não voltaremos a nos ver.

— Assim que terminarmos nossa conversa você deve trazer o ovo e colocá-lo neste trono menor ao seu lado. Da mesma forma que o seu trono estava programado para me despertar quando entrasse em contato com você, o trono menor chocará o ovo. Naquele ovo repousa o filho de meu antigo companheiro, assim como o pai dele foi meu braço direito ele será o seu. Quanto as habilidades que ele possui, ele mesmo será capaz de falar.

— Quanto a sua habilidade, você possui em sua linhagem os genes do Manipulador Original, o primeiro ser capaz de manipular o Shakti, ele foi o único ser existente capaz de compreender o vazio, o elemento mestre responsável pela existência de todos os universos e tudo o que existe neles, esse gene foi configurado para perdurar de geração em geração e só se ativar no descendente que nascer após a destruição do primeiro selo.

— Os selos são doze planetas de um complexo sistema de multiverso, cada um em sua respectiva dimensão em doze universos diferentes. O mundo em que você vive é um deles, vocês são habitantes do Sétimo selo que fica na sétima dimensão.

— Voltando a sua habilidade, você está meio certo sobre ela. Sua habilidade não é apenas a “Compreensão” como imaginou, mas sim a “Compreensão do Vazio”, logo, compreendendo o vazio você será capaz de compreender e aprender tudo o que estiver dentro dele. Os genes do manipulador original escolheram você para domina-los, considere-se com sorte garoto. — Disse o Ancião enquanto sorria. — (Ou não coitado.) — Pensou o ancião enquanto aumentava o seu sorriso.

— O vazio basicamente existe para absorver tudo o que estiver em seu domínio e ser preenchido. Eu irei usar a própria criação do espaço que abriga o mundo em que você vive, para que fique mais fácil de você entender.

— Dois corpos não ocupam o mesmo lugar, a partir daí, é fácil deduzir que para haver o espaço tinha de haver algo em outro estado que permitiu a criação de uma base estável para que, aí sim, tudo pudesse ser criado. Esse estado é o vazio, pois só não havendo nada dentro dele é que algo poderia ser criado e concretizado. A natureza de seu poder funciona da mesma forma.

— Você deve ter percebido que sua primeira capacidade a se desenvolver foi o seu intelecto, isso se deve ao fato de que, espiritualmente falando, apenas a sua mente podia ser aprimorada. Devido a seu Shakti ser do elemento vazio, sua natureza elemental é literalmente vazia. Por isso você viveu nove anos no engano pensando ser um humano comum.

— Porém, como o vazio existe para absorver tudo o que estiver em seu domínio e ser preenchido, isso lhe dá a capacidade de absorver parte do Shakti que entra em contato com você e usá-lo como o seu próprio. É isto o que está acontecendo nesse exato momento com você no lago. — Disse o Ancião.

— Eu ainda estou lá? — Perguntou Zorg surpreso.

— NÃO ME INTERROMPA! — Gritou o Ancião.

  • Rummhum *

O ancião raspou a garganta e continuou.

— Está vendo como que os pedestais do Relâmpago Primordial e da Luz Primordial estão brilhando mais intensamente que os outros? …

— Sim. — Respondeu Zorg animadamente.

— Isso foi uma pergunta retórica sua anta, não me interrompa! — Exclamou o velho.

— Nesse momento eles estão absorvendo parte do Shakti da luz e elétrico que está entrando em contato com o seu corpo e transformando no seu próprio Shakti. Isso significa que o seu “vazio” está sendo preenchido com duas naturezas elementais.

— Mas não fique tão animado, pois enquanto você não conseguir as esferas de seus respectivos elementos, você nunca será capaz de usar 100% de seu poder, pelo menos não os Divinos, e muito menos os primordiais. — Disse o ancião.

— (Como assim Divinos? Qual seria a diferença entre o divino e o primordial?) — Pensou Zorg. Ele não arriscaria interrompe-lo uma terceira vez.

— Além disso, o próprio vazio possui habilidades próprias. Mas é claro que isso dependerá de seu nível de Domínio, e principalmente que você acople a Esfera do Vazio Absoluto em seu trono. Porém como parte da energia do vazio que foi armazenada no trono foi transferida para você, podemos dizer que seu poder está incompleto e funcionando pela metade, na verdade até menos. Assim que terminarmos nossa conversa…

— (Monólogo você quer dizer.) — Pensou Zorg.

…. Irei lhe transferir a habilidade mais básica do vazio, acredito que você será capaz de usa-la. Quanto as outras habilidades, elas estão contidas na esfera e serão liberadas conforme você for evoluindo. Isso é claro, se você conseguir recupera-la.

— Bom, isso é tudo o que lhe direi. Você tem mais alguma pergunta garoto?

— Bem, na verdad…

— Se tiver não precisa falar porque eu não vou responder. — Disse o ancião enquanto mantinha os olhos fechados.

— (Filho da puta, então porque me perguntou.) — Pensou Zorg.

— A partir de agora nós não nos veremos mais, acredito que disse o mínimo necessário, o resto estará nas mãos daqueles dois irmãos. — Disse o ancião enquanto se aproximava de Zorg.

— Sênior, se me permite perguntar. Em qual Domínio o senhor está? — Perguntou Zorg de forma apreensiva.

— Isso não é da sua conta garoto. Você deveria ter perguntado algo mais útil. — Disse o ancião.

— Tudo bem, entã…

— Acabaram suas perguntas, você só tinha direito a uma. — Disse o velho secamente.

— Mas você disse que não iria me responder nenhuma, como eu ia saber que eu só tinha uma pergunta!?

— Se você sabe que eu não iria responder, porque você continua me fazendo mais perguntas?

— (Mas que cacete, você já está me dando nos nervos! Se você já não estivesse morto eu juro que te matava seu velho arrombado.) — Pensou Zorg.

O ancião se aproximou de Zorg colocando seu dedo indicador entre suas sobrancelhas, instantaneamente informações de uma nova técnica começaram a surgir em sua mente.

Caminho Vazio

Técnica do elemento Vazio.
Técnica que cria um vazio capaz de ignorar o próprio espaço, permitindo o usuário a direciona-lo conforme a sua vontade.
Técnica extremamente versátil, podendo ser utilizada tanto para movimento, ataque ou defesa.
Técnica que evolui de acordo com o Nível de Domínio do usuário. Quanto maior o nível, maior será seu alcance, eficácia e poder.

— Uau que louco! — Pensou Zorg.

— Última coisa antes de eu ir garoto. Seu Núcleo da Alma é especial, o fato de você controlar o elemento vazio, faz de você capaz de preenche-lo da forma que quiser, você pode inclusive trazer pessoas para este lugar. E para sair deste lugar é muito fácil, apenas concentre o Shakti em sua mente enquanto pensa em sair.

— Não tenha medo garoto, eles irão te guiar. E quando você encontra-los, diga a eles que este plano não mais me pertence… meu lugar… está vazio. — Disse o ancião com uma ar de que havia algo mais que ele queria contar.

— Se eles te perguntarem para aonde eu fui, apenas diga a eles que se foram os deuses quem criaram toda a vida existente no universo e multiverso, então, quem criou os deuses?

— Um lugar além de outro garoto, HOHOHOHOHO. — Disse o ancião enquanto desaparecia lentamente.

— Espera, espe…

O ancião desapareceu.

— Que velho mais estranho, nem pra se despedir direito, foi embora e nem o nome dele eu sei.

— Estrupício, você podia ter pelo menos me dito quem era aquela mulher que me deu a visão. — Pensou Zorg.

— Mas deixando isso de lado. Que loucura! Quanta coisa em um dia só. Quer dizer então que esse é o interior da minha alma onde se concentra o Shakti. — Disse Zorg enquanto se sentava no trono.

— Bom, é hora de voltar. Devo ter ficado aqui por umas oito horas, meus pais devem estar preocupados.

Ainda sentado em seu trono, Zorg começa a concentrar o fluxo de Shakti em sua mente, materializando o pensamento de sair deste lugar. E assim como dito pelo ancião, ele estava fora.

Ao abrir seus olhos, Zorg vê seu irmão na outra margem do lago com suas roupas rasgadas, lutando contra centenas de bestas. Ao olhar na direção de sua mãe, Zorg sente um aperto em seu coração.

Ela estava tão pálida que em seu estado atual todas as veias de seu corpo podiam ser vistas facilmente. Para que permanecessem esticados, seus braços eram apoiados por dois troncos enquanto Azemir a alimentava dando-a de comer em sua boca. Mesmo estando neste estado deplorável, ela não parou de dar suporte a seu filho um segundo sequer. Dia e noite, frio e vento, chuva e trovões não foram o bastante para impedir que ela protegesse seu amado filho.

— MAMÃE! — Gritou Zorg enquanto saltava para o lado de sua mãe.

— Filho… Que felicidade…. Você… cresc… — Sentindo um imenso alívio e satisfação ao ver seu filho se levantar, Zafiryel se entrega ao cansaço e desmaia.

— Pai, o que aconteceu com a mãe, porque ela está assim? — Perguntou Zorg em total estado de pânico, a última coisa que ele queria, era ver a sua mãe morta por sua causa.

— Filho, sua mãe… Ela… — Azemir tremia enquanto pegava sua esposa em seus braços.

— A três dias atrás ela havia chegado ao seu limite, ela gastou todo o seu Shakti lhe dando suporte neste ciclo de cura sem fim. Mesmo quando ela estava sem energia ela não parava de te apoiar, ela dizia que seu treinamento estava surtindo um efeito milagroso e só sairia daqui quando você acordasse.

— Durante esses três dias, não importa o quanto eu insistisse para ela parar, ela danificava cada vez mais sua própria essência espiritual para continuar lhe curando, ela perdurou nesse estado desde então. — Disse Azemir de forma pesarosa.

— Como assim três dias pai? Eu devo ter ficado fora por no máximo oito horas. — Disse Zorg de forma angustiada.

— Háh… Olhe para sua mãe, você acha mesmo isso? Filho, você esteve em um estado de meditação profunda na beira deste lago por trinta e seis dias. Durante todo esse tempo sua mãe não se afastou de você por um segundo sequer. Por mais que eu insistia para que tirássemos você do lago, dizendo que você seria capaz de entrar nesse estado de novo. Ela não permitia dizendo que não haveriam garantias de que você seria capaz ou não de conseguir tal avanço novamente. — Disse Azemir enquanto lágrimas escorriam de seus olhos.

— (Não pode ser. Trinta e seis dias é muito tempo.) — Pensou Zorg.

— Isso não é o suficiente para matá-la, não é? — Perguntou Zorg com uma voz trêmula.

— Sinceramente não sei filho, o fluxo de Shakti de sua mãe está um completo caos e quase não sou capaz de senti-lo. Além disso, ela passou todo esse tempo sem dormir. Foi uma carga muito pesada para seu corpo e alma. — Disse Azemir enquanto a colocava na cama.

— Mas que droga! Porque você deixou que ela fizesse isso? E daí o meu estado de meditação? Vocês deveriam ter me tirado! — Exclamou Zorg em desespero.

— Humpf, você fala como se não conhecesse a mãe que tem. Geniosa como ela é, se eu a forçasse ela não me perdoaria, e de certa forma, por mais que me doa vê-la nesse estado, até que ela tinha razão. — Disse Azemir.

Zorg permaneceu mudo enquanto se aproximava de sua mãe, ele sentia um misto de raiva e remorso. Ao se aproximar, ele coloca a mão sobre o coração de sua mãe e começa a inspecionar seu núcleo da alma. Agora que ele sabia sobre a existência do núcleo e a forma de visualiza-lo, não foi tão difícil encontra-lo.

O núcleo de sua mãe era totalmente diferente do seu, era apenas um pequeno pedaço de terra seca cheia de rachaduras, era um lugar quase sem vida, no lugar onde antes parecia ser um lago, apenas um pequeno fio de água descia vagarosamente sob a terra seca que aos poucos se desintegrava.

— Não! Não, não, não, não, não! — Zorg repetia em baixa voz enquanto uma tristeza sem fim preenchia todo o seu ser. Perdido em meio ao desespero, de repente algo ressoa em sua mente. “Nesse momento eles estão absorvendo parte do Shakti da luz e elétrico que está entrando em contato com o seu corpo”. Zorg se lembra do que o Ancião havia dito, e um fio de esperança brota em seu coração.

— Pai, me entregue o ovo.

— Pra que? O que pretende fazer com ele?

— Apenas me dê! — Exclamou Zorg.

Azemir o entrega a caixa contendo o ovo. Ao recebe-la, Zorg ajeita sua mãe em seu colo, cruza suas pernas, e ao fechar os olhos, ela e a caixa desaparecem.

— Mas o quê… — Disse Azemir de forma espantada.

De volta ao seu núcleo da alma, segurando sua mãe em seus braços, Zorg coloca o ovo no trono menor e logo em seguida reaparece na beira do pequeno rio que antes era um riacho.

— Espero que funcione, por favor funcione! — Disse Zorg enquanto entrava com sua mãe no rio.

Ao chegar em uma região profunda onde a água de cristal batia em seu peito, Zorg começa a concentrar seu Shakti em torno de sua mãe, enquanto tentava canalizar toda a energia curativa que ele havia absorvido dela.

— Por favor funciona, por favor funciona, por favor funciona… — Repetia Zorg enquanto abraçava sua mãe firmemente, ele não sabia nenhuma técnica de cura e também não existem pílulas capazes de restaurar o núcleo da alma, isso era tudo o que ele podia fazer. O tempo passava, nada acontecia e seu desespero só aumentava.

Enquanto isso na sala do trono, o ovo que estava sobre o trono menor começa se mexer de um lado para o outro enquanto pulsava pausadamente. De repente, como que se estivesse sendo sugado por algo em seu interior, o ovo começa a se desintegrar e suas partículas formavam um pequeno espiral que se dirigia para seu interior pelo centro. Todo o ovo desaparece restando apenas uma pequena criatura do tamanho do punho de uma criança.

— Humm, que delícia popurou. — Disse a criatura. Ela colocava sua grande língua para fora enquanto se espreguiçava esticando todo o seu corpo.

Quando terminou de se espreguiçar, a criatura começou a andar movendo preguiçosamente suas quatro patinhas em direção ao pedestal da Luz Primordial. Ao chegar em frente a ele, a criatura dá um salto caindo sobre o pedestal.

— Uaaaaaaah! — Bocejo. — Vamos lá, mal cheguei e já tenho trabalho, ele vai ter que me recompensar por isso popurou. — Disse a criatura enquanto fechava seus olhos e se fundia ao pedestal.

Um forte feixe de luz sai do pedestal rasgando os céus em direção a Zafiryel penetrando sua testa quase que instantaneamente. Ao sentir o corpo de sua mãe se aquecendo novamente, Zorg abre os olhos.

Ao abrir os olhos, Zorg se surpreende ao ver uma pequena criatura que caberia na palma de sua mão sobre a testa de sua mãe. A criatura era um pequeno camaleão que estava tão branco quanto a neve, ela sacudia todo o seu corpo enquanto voltava a sua coloração original meio azulada, ao ver que Zorg o encarava, ela estica sua pequena patinha dianteira e diz:

— E aí? Beleza?

Zorg permanece sem ação enquanto encarava de olhos arregalados aquele pequeno projeto de camaleão com a patinha esticada em sua direção.

— Vamos, toca aqui. Não vai me deixar no vácuo vai popurou? — Disse a criatura enquanto balançava a patinha.

Ainda mudo e sem tirar os olhos da criatura, Zorg estica sua mão e encosta a ponta de seu dedo indicador na patinha da criatura.

— Isso aí mestre, é assim que se faz. A propósito, eu me chamo Popurou.


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  • Ruivo

    kkkkkkkkkkkkk eu não sei se eu fico lendo as partes da história para gravar essas partes importantes que o ancião falou, ou leio as partes que mostra como o amor de uma mãe é, ou a parte que o zorg kkkkkk fala que ia mata o velho kkkkkkk ia mata sim skapskapskapsk, vlw pelo cap <3 po e eu errei não era 17 dimensões skapskapsk não foi hoje

    • KKKKKKKKKKKKKKKK Vi ter que ler uma vez para cada um desses tópicos kkkkkk
      Mas passou perto, só errou por cinco dimensões kkkkk

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