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19 – Fraco. Muito fraco.

Dias atuais, mansão do 3º Élder Leão Azure

 

Depois disso, Naozaradan usou um tipo de habilidade que curou a nós dois instantaneamente. Meu irmão havia perdido a sua ferocidade, ele me abraçava e chorava o tempo todo, e eu, como havia selado minha própria mente, continuava tão inerte como antes. E assim alguns dias se passaram. Depois disso, ficávamos viajando de cidade em cidade, mas nós nunca saíamos de nossa carruagem.

— Até que dois dias atrás, nós voltamos a Província Leão Azure. Foi aqui também onde Naozaradan impôs sobre nós a Marca da Alma e, para a minha surpresa, ela cancelou o selamento de minha mente. Bem, não é que ela havia cancelado a minha habilidade, ela havia apenas se sobreposto a ela, e isso fez com que a Marca da Alma tivesse predominância sobre mim. E por isso eu acabei voltando ao normal, mas quando meu cérebro começou a processar tudo o que tinha acontecido comigo desde então, eu fiquei em tempo de enlouquecer e a minha vontade de me matar crescia a cada momento.

— Mas isso não foi o pior, o pior foi quando eu analisei o meu interior e descobri que eu estava grávida. Eu nunca senti um conflito tão grande dentro de mim em toda a minha vida! Sabe, eu sempre quis ser mãe. Sempre sonhei em me casar com um bom homem, constituir uma família e tudo mais, eu amo crianças. Mas, ter um filho proveniente de uma experiência tão horrenda e nefasta quanto a que eu tive, e ainda não ser capaz de saber quem era o pai da criança, meu primeiro desejo foi tirá-la na hora, do fundo do meu coração, o que eu mais queria era abortar.

— Mas aí eu me dei conta de que essa criança também é um ser vivo, e que ela não tem culpa em nada do que aconteceu comigo. Eu comecei a pensar que esta criança era tão vítima quanto eu, e que talvez eu devesse dar uma chance a ela. Mas sempre que eu tentava, uma dor maior ainda tomava conta de mim, quando ela nascesse, sempre que eu olhasse para o seu rostinho, por mais lindo que ele fosse, eu iria sempre me lembrar do terror daquele dia.

— Eu comecei a entrar em pânico e então selei a minha mente mais uma vez, e dessa vez, a configurei para sobrepor a Marca da Alma. Não esperava que alguém seria capaz de cancelá-la tão cedo novamente. — Disse Sayuri enquanto se levantava, preparando-se para se enxaguar. Ela estava um pouco trêmula, pois os sentimentos negativos que foram selados temporariamente por Zafiryel, estavam começando a voltar.

Zafiryel estava imóvel. A raiva e a revolta que ela estava sentindo estavam estampadas em seu rosto. Ela não aceitava o fato de que esses dois irmãos ainda tão jovens, terem passado por tudo isso, até mesmo alguns adultos experientes teriam dificuldades para lidar com isso. Lágrimas de compaixão começaram a rolar em seu rosto, o destino tinha sido realmente cruel com os três irmãos. Zafiryel, sendo uma mulher e também uma mãe, podia compreender mais do que qualquer um a dor que Sayuri estava sentindo.

— Eu prometo que faremos tudo o que for possível para lhes ajudar, nós com certeza vamos encontrar a sua irmãzinha Sayami, e vocês estarão felizes e juntos novamente! — Disse Zafiryel, abraçando Sayuri por trás enquanto chorava. Sayuri começou a tremer de forma cada vez mais intensa, ela já não estava mais sobre influência alguma de Zafiryel, todos os seus sentimentos, fossem eles bons ou ruins, haviam voltado. As duas se abraçaram e choraram profundamente.

Enquanto isso, na entrada do salão de banho

 

— O que elas estão fazendo? Já fazem duas horas que elas estão no salão de banho! — Disse Aldebaran de forma rude, ele estava começando a ficar incomodado com essa situação.

— Nem mesmo eu sei o que elas estão fazendo, mas posso lhe assegurar que está tudo bem. Minha esposa não é do tipo que age sem algum motivo, se ela se selou lá dentro, deve haver um motivo. — Disse Azemir enquanto olhava para a barreira sem entender o que estava acontecendo, ele tinha algumas suspeitas, mas não arriscaria dizer nada sem ter certeza.

— (Não posso deixar minha irmã se machucar de novo sem que eu faça nada) — Pensou Aldebaran: — Eu juro, se alguma coisa acontecer com a minha irmã, mesmo que eu morra, eu farei pelo menos você pagar. — Disse Aldebaran enquanto encarava Zorgnatron.

— É mestre, parece que ele gostou mesmo de você popurou. — Disse Popurou de dentro do Núcleo da Alma de Zorg.

— Heh, nem quero ver o dia que ele tomar raiva de mim. — Disse Zorg enquanto se desviava do olhar de Aldebaran.

— Mudando de assunto, mestre, o que será que elas estão fazendo lá dentro hein? Você não está nem um pouco curioso popurou? — Perguntou popurou.

— Estar eu estou, mas o que eu posso fazer além de esperar? Já se passaram duas horas, elas devem estar terminando seja lá o que for que estão fazendo lá dentro. — Disse Zorg.

— E se tentássemos dar uma espiada? — Disse Popurou com uma cara pervertida.

— Está maluco!? Minha mãe está lá dentro! — Exclamou Zorg.

— Mas já pensou se elas estiverem esse tempo todo lá dentro se pegando popurou!? Minha Deusa junto com essa gracinha que é a Sayuri, eu não posso perder! — Disse Popurou enquanto revirava os olhos e corava o rosto enquanto os pensamentos mais pervertidos possíveis passavam em sua cabeça.

— É melhor calar a boca! É da minha mãe que você está falando! — Disse Zorg de forma exaltada, ele ficou tão nervoso que até deixou transparecer em seu rosto.

— POR QUE FICOU NERVOSO DE REPENTE!? VOCÊ SABE DE ALGUMA COISA, NÃO SABE!? — Gritou Aldebaran enquanto seguia na direção de Zorg.

— (Merda, Popurou! Você me paga!) — Pensou Zorg.

— Você é muito esquentado, rapaz. É melhor se colocar em seu lugar e não fazer nenhuma besteira até que elas saiam de lá. — Disse Azemir enquanto se colocava entre Zorg e Aldebaran.

— Eu realmente fico feliz por você ter tomado essa decisão Sayuri, muito feliz mesmo. — Disse Zafiryel enquanto se enxugava.

— Outra pessoa que ficará feliz é meu irmão, ele ficou muito abatido depois de me ver selar a minha mente da mesma forma que a nossa mãe. Sempre quando ficávamos sozinhos, ele segurava a minha mão e dizia que encontraria alguém para desfazer o selo e que sempre estaria do meu lado para me proteger. — Disse Sayuri com um olhar alegre e distante, enquanto se enxugava lembrando desses momentos.

— Obrigada, obrigada mesmo. Se não fosse por você ter selado meus sentimentos negativos, eu nunca seria capaz de colocar meus pensamentos em ordem, eu estava muito desesperada e sem saber como lidar com a situação. — Disse Sayuri. Ela estava realmente grata, muito mais cedo do que ela esperava, um fio de esperança surgiu em seu caminho.

— Huhuhu, bobinha. Você não tem o que me agradecer, vocês já sofreram bastante, está mais do que na hora de coisas boas começarem a acontecer com vocês. — Disse Zafiryel enquanto terminava de se vestir.

— Vamos sair? Os rapazes lá fora estão a um bom tempo de frente a porta nos esperando, e seu irmão para variar anda tão esquentado como sempre. — Disse Zafiryel enquanto se preparava para desfazer a barreira.

— Hihihi, então vamos. — Disse Sayuri enquanto sorria cheia de expectativa, imaginando como seu irmão reagiria ao vê-la em seu estado normal mais uma vez.

A barreira se desfez, e toda a atenção dos que estavam de fora, se voltaram para a entrada do salão de banho.

— Vocês demoraram, o que acontec…

— Cadê a minha irmã!? — Disse Aldebaran de forma alterada, interrompendo a fala de Azemir.

— Você realmente se importa com ela, não é? — Disse Zafiryel enquanto olhava de forma amorosa para Aldebaran.

Azemir estranhou a situação.

— Não duvide disso! — Respondeu Aldebaran.

— Ela está aqui. — Disse Zafiryel enquanto se deslocava para a esquerda, dando passagem para Sayuri que estava atrás dela.

Sayuri estava quieta, com o olhar tão distante como antes, sua face não expressava qualquer reação. Porém, Aldebaran a encarava dos pés à cabeça, ele não sabia dizer muito bem o que era, mas de alguma forma ela estava diferente. E quando ele começou a se aproximar de Sayuri para olhar mais de perto, Sayuri solta um sorriso travesso mostrando a língua para Aldebaran.

Aldebaran ficou imóvel, suas sobrancelhas se descontraíram e uma expressão chorosa começou a tomar conta de seu rosto.

— Ir-irmã… Vo-você está bem mesmo? — Perguntou Aldebaran com a voz trêmula, ainda sem sair do lugar.

— Hihi, estou sim. — Respondeu Sayuri com os olhos cheios d’água.

Os dois se abraçaram enquanto riam e choravam ao mesmo tempo. Um cisco caiu nos olhos de Zafiryel e lágrimas também escorreram de seus olhos enquanto ela tentava tirá-lo.

— Amor, você vai me contar o que está acontecendo aqui? — Disse Azemir, tão perdido quanto podia.

— Depois, querido… Depois. — Respondeu Zafiryel com a voz trêmula enquanto enxugava os olhos.

  • BOOOOOMMMMM *

Aldebaran caiu violentamente de joelhos em frente a Zafiryel, sem medir sua força, ele acabou afundando todo o chão ao seu redor.

— (droga, esses pisos são caros.) — Pensou Azemir com uma expressão de dor.

— Muito obrigado. — Disse Aldebaran de forma profunda e solene.

— Eu, Aldebaran Hildegard, não sou tão bom com as palavras a ponto de conseguir expressar a gratidão que eu estou sentindo neste momento. Não temos pai, n-não temos… mãe. — A voz de Aldebaran começa a vacilar, mas logo em seguida, ele engole o choro e se recompõe: — Não temos casa, mas enquanto vocês nos aceitarem, nós iremos lhes seguir de bom grado. — Disse Aldebaran com toda a sinceridade de seu coração.

— Cancelar! — Disse Zorgnatron.

Imediatamente, o centro da testa de Aldebaran e Sayuri começaram a brilhar revelando o selo da marca da alma. O selo foi perdendo o seu brilho, até que se apagou completamente. Os dois irmãos, mais uma vez estavam livres.

— Porque fez isso!? — Perguntou Aldebaran surpreso.

— Ora, eu disse mais cedo que só iria deixar a marca da alma ativa em vocês, até que eu ganhasse a confiança dos dois. Com tudo o que você disse, não vejo o porquê não libertá-los. — Disse Zorg com uma expressão contente.

— Certo! — Disse Aldebaran enquanto encarava Zorgnatron com determinação.

— Bom, eu acredito que os dois irmãos tenham algumas coisas que precisam conversar. Iremos deixá-los a sós, conversem aonde quiser. Vem querido, vem filho, vamos deixá-los. — Disse Zafiryel enquanto saia.

E assim foi feito. Zorg e seus pais saíram para conversar, enquanto Sayuri e Aldebaran tiveram seu próprio tempo juntos. Antes de saírem do salão de banho, Zafiryel havia perguntado para Sayuri se teria algum problema caso ela contasse para seu marido e filho sobre tudo o que havia acontecido com ela. Como ambos estão empenhados a ajudá-la (mesmo sem saber o porquê) essa seria uma importante informação. Mesmo estando um pouco temerosa, e principalmente envergonhada, ela permitiu que Zafiryel contasse a eles, a final de contas, eles ainda estavam sob controle da marca da alma, se Zorg realmente quisesse, ele poderia obter qualquer coisa de qualquer um dos irmãos.

Ao ouvirem tudo o que aconteceu com os dois irmãos nesses últimos dias, Zorgnatron e Azemir sentiram um misto de fúria e medo. Fúria porque eles não aceitavam de maneira alguma a crueldade das ações de Naozaradan; E medo porque ambos se lembraram de que Agláxis estava os seguindo já a algumas horas. Se Naozaradan é tão poderoso quanto aparenta ser, Agláxis não terá a mínima chance caso seja descoberto.

Ainda enquanto conversavam sobre ser necessário ou não, saírem em busca de Agláxis, uma pressão extremamente forte, repleta de intenção de matar, tomou conta de todo o local, seguido de um grito como se tivesse sido expelido das profundezas de sua alma repleto do mais puro ódio, que pôde ser ouvido por toda a mansão.

— NAAAAOOOOZARADAAAANNNN!!!! — Aldebaran estava aos portões da Mansão do Terceiro Élder Leão Azure, pronto para perseguir seu inimigo. Ele estava totalmente fora de si, alguns fragmentos do solo se soltaram e começaram a circular ao seu redor enquanto a gravidade do local parecia aumentar a cada minuto.

— É, acho que ele acabou de ficar sabendo que virou titio popurou. — Disse Popurou.

— Me pergunto como que está a Sayuri numa hora dessas. — Disse Zorg enquanto olhava ao redor procurando-a.

Zafiryel sendo a mais sensitiva de todos, já estava ao lado de Sayuri em seu quarto.

— Ô minha querida, como que você está? — Perguntou Zafiryel sentando-se ao lado de Sayuri que chorava copiosamente.

Sayuri primeiro se recompôs, e depois começou a falar.

— Meu irmão não aceita o fato de que eu vou ter essa criança, e-ele quer que eu a tire de todo jeito. — Disse Sayuri enquanto voltava a chorar.

— Ô minha pequena, se acalme. Tenho certeza de que ele só disse isso da boca para fora. Eu o conheço a pouco tempo, mas já pude perceber que ele é muito impulsivo, assim que sua raiva passar, ele vai começar a pensar melhor e vai entender que, esta criança que está em seu ventre, não tem culpa de nada. — Disse Zafiryel enquanto acariciava a cabeça de Sayuri.

Enquanto Zafiryel e Sayuri conversavam, Azemir tentava parar o enfurecido Aldebaran.

— É melhor você esfriar a cabeça antes de fazer qualquer coisa, rapaz. — Disse Azemir enquanto aparecia do nada na frente de Aldebaran.

— Me deixe passar, ele tem que pagar pelo que fez! — Disse Aldebaran enquanto uma quantidade ainda maior de fragmentos de terra se prendiam em seu corpo.

— Temo que isso não será possível, você ainda não tem as qualificações para isso. — Disse Azemir enquanto cruzava os braços.

— ME DEIXE PASSAAAAAAAARRRR! — Esbravejou Aldebaran enquanto todo o solo do pátio se desintegrava e se acumulava em seu corpo.

Toda a terra no corpo de Aldebaran começou a se condensar e mudar de forma, a uma velocidade incrível, da mesma maneira que seu pai, Aldebaran estava mudando a composição química do elemento terra, transformando-a em uma poderosa e resistente camada de ferro que cobria todo o seu corpo.

Apesar de ser apenas ferro, pelo fato de estar infundido com o Shakti de Aldebaran que está no 3º Nível do Domínio Espiritual, essa camada de ferro que envelopava todo o corpo de Aldebaran, era mais forte que o aço.

— Ele quer passar ou quer morrer, popurou? Usar ferro bem aqui? — Disse Popurou com um sorriso irônico no rosto.

— Ele deve estar cego de raiva, com certeza não está raciocinando direito. — Respondeu Zorg.

— Heh, boa sorte para você que vai andar com ele popurou. Prevejo grandes problemas desnecessários no futuro. — Disse Popurou.

— Hummm. — Zorg apenas observou o que aconteceria a seguir.

Aldebaran, como um louco, saltou em direção de Azemir em uma tentativa desesperada de tirá-lo do caminho.

— Pffit…. Sério, garoto? Ferro aqui? — Disse Azemir desdenhosamente. Azemir simplesmente apontou seu dedo indicador direito para Aldebaran e um simples, porém, denso raio disparou em direção de Aldebaran.

O poder do choque de Azemir foi amplificado pelo menos duas vezes mais devido a armadura de Aldebaran, todo o seu corpo tremeu involuntariamente, sua armadura se desfez enquanto Aldebaran caia de costas no chão.

— Você, apesar de forte, é fraco. Muito fraco. Quantas vezes mais você vai permitir que sua irmã sofra por sua causa devido a essa sua fraqueza? — Disse Azemir de forma fria enquanto encarava Aldebaran.

Aldebaran não direcionava o olhar para Azemir em nenhum momento, ele apenas contemplava o vasto céu azul enquanto sentia todo o seu corpo dormente e formigando que aos poucos iam recobrando os movimentos.


 

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